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domingo, 13 de maio de 2012

Imprensa: Reconstruindo a Realidade

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A semana passada foi conturbada para a Imprensa Brasileira. No domingo passado a TV Record anunciava a participação de Jornalista da Revista Veja nas maracutaias produzidas pelo bicheiro (contraventor, corruptor, etc) Carlinhos Cachoeira. A Revista Carta Capital também atacou sua "co-irmã" (tsc, tsc).

Hoje peguei a Revista Veja dessa semana para ver a resposta. A Revista da família Civita não deu o braço a torcer. Não deu qualquer desculpa sobre os métodos heterodoxos (na realidade de tão usados são é ortodoxos) do seu jornalista para conseguir informações do bicheiro goiano.

Mas, para nossa felicidade, em uma de suas reportagens, ela mostra para seus leitores as formas com que se consegue manipular informações dentro da Internet. "Táticas de guerrilhas nas redes sociais", "Fraudes nos Treding Topics do Twitter"... são facetas reveladoras de como o jornalismo brasileiro se encontra evoluído (sic). Nada como uma crisisinha entre os burgueses donos da imprensa para que tenhamos alguma coisa de útil.

Lembrei de um pequeno texto que escrevi há uns 5 anos atrás sobre as maneiras de se Fabricar Notícias. Como diz a Veja: Internautas, fiquem de olho neles"... Dentro desse pronome "NELES", favor encaixar a própria Veja e este honroso e glorioso Blog dos Inimigos do Rei também (rs, rs).

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Gostaria, nesta semana, de falar um pouco mais sobre o que poderíamos definir como a Fabricação de Informação no Jornalismo.

Até que ponto a imprensa manipula ou não os fatos e acontecimentos, criando representações de mundo que convêm ou aos jornalistas, ou aos seus chefes?

Há muita gente escrevendo sobre isso pelo mundo. Aqui no Brasil, Ricardo Antunes em artigo sobre a greve dos petroleiros em 1995 afirmava que a opinião pública (que execrou a greve) era na realidade a opinião que se publicava (ou a de quem publicava), ou seja, as opiniões hegemonicamente contrárias a greve.

Pierre Bourdieu, sempre expôs suas críticas contra os jornalistas, acusando-os de construtores de representações sociais, devido a seu grande poder:

Segundo ele, no livro "Sobre a Televisão", "Os jornalistas devem sua importância no mundo social ao fato de que detêm um monopólio real sobre instrumentos de produção e de difusão em grande escala da informação, e, através desses instrumentos, sobre o acesso de simples cidadãos, mas também de outros produtores culturais, cientistas, artistas, escritores, ao que se chama por vezes de 'espaço público', isto é, de grande difusão".

O que se põe em discussão, sabendo-se deste poder, é sobre o que se faz com esse poder, ou mesmo, se queremos este poder utilizado de forma não democrática dentro da sociedade. O que está em debate também neste tema é um equilíbrio entre liberdade e controle de expressão.

A Revista Superinteressante desse mês de julho tem como reportagem de capa a "Energia Nuclear", denominando-a, ali mesmo na capa, de "vilão que pode salvar a Terra", e que ela havia se transformado na "maior esperança da ciência contra o aquecimento global".

Mas, infelizmente, somente dentro da revista as coisas começam a tomar rumos diferenciados. No editorial retoma-se um tom mais realista, deixando mais ou menos claro que a energia atômica não virou algo inofensivo. A grande questão é saber-se se a capa já não influenciou o leitor para que tome posição favorável ao uso daquele tipo de energia.

No livro "A Fabricação da Informação", os autores Florence Aubenas e Miguel Benasayag, são otimistas com relação à percepção pública da relação entre realidade e jornalismo:

"Depois de ter acreditado por muito tempo que uma coisa é verdadeira 'porque está escrita no jornal', a convicção popular se inverteu. De palavras sagradas, as notícias fornecidas pela imprensa tornaram-se, aos olhos dos que a lêem, forçosamente falsas, ou sempre suspeitas".

Tomara que as pessoas estejam mesmo de olhos bem abertos.

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Querendo um pouco mais de informação sobre o tema siga o Link:

quinta-feira, 29 de março de 2012

Greve, não: ANARCHIA

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Carlos Baqueiro

Apareceu hoje um comentário no post publicado no Domingo passado (O Povo Soberano) questionando a existência de anarquistas na Bahia já na década de 20 do Século passado. Na realidade pelo que pesquisei não dá prá afirmar que fossem anarquistas. Agripino Nazareth, por exemplo, que editou o jornal Germinal, tem ações também em São Paulo, junto justamente com os anarco-sindicalistas (felizmente, ainda não inventaram anarcometro). Mas uma coisa é certa. As ideias anarquistas estavam por aqui pela Bahia durante esses anos. Pois em outras fontes se "escuta" falar sobre questões como a negação dos partidos, a crítica à autoridade da Igreja, questões feministas e sexistas, que sempre permearam os ideias acratas em todos os lugares e tempos.

Transcrevo a seguir parte de artigo que criei durante curso de história, abordando justamente a Greve Geral de 1919, em Salvador. Espero que a leitura do texto seja agradável e útil a todos.

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A greve geral tem seu início no dia 3 de junho, iniciando-se com uma parada dos trabalhadores da obra de construção da Biblioteca Pública. Dali saindo em passeata conseguiram a adesão de outros trabalhadores levando o DN a apoiar o movimento: "E que seja o seu movimento coroado de êxito, é o que ardentemente desejamos, nós que sempre estivemos do lado do operariado digno". Centralizando suas ações e planos no Sindicato dos Pedreiros e Carpinteiros, os grevistas, pedreiros, carpinteiros, padeiros, empregados da linha Circular de bondes e operários das fábricas de tecidos, montaram comissões para se entender com empresários e governo.

No dia 4, com a greve mais organizada e forte resolveram criar, sob a liderança de Agripino Nazareth, o "Comitê Central de Greve" sob o mesmo formato daqueles criados nas greves de São Paulo em 1917. Sob a bandeira das 8 horas de jornada de trabalho o "Comitê", segundo o jornal baiano Diário de Notícias, seria encarregado da direção da greve, formado pelo representante dos padeiros, Constâncio Pereira Victório, dos pintores, Odilon Neves da Costa, dos operários da fábrica da Boa Viagem (Empório Industrial do Norte, fundada por Luis Tarquínio no final do século passado), Eleutério Bispo Ferreira, do Sindicato dos Pedreiros, Guilherme Francisco Nery, Antonio Amaro Sant'Ana, Abílio José dos Santos, dentre outros.

É importante notar aqui, abrindo-se um parêntesis, após termos conhecimento, também, dos nomes dos participantes das Comissões de entendimento, e dos feridos do movimento de agosto de 1917, a quase, ou completa ausência de nomes que indiquem a existência de imigrantes estrangeiros. Isto desmistifica a idéia da "flor exótica", que segundo a imprensa das oligarquias e burguesia paulista e carioca, colocaria o imigrante como o corruptor do "bom e pacífico" proletariado brasileiro, levando-o a caminho da greve.

Mas o DN não levaria seu apoio aos grevistas até o final do movimento. A força que a greve parece ter tomado criou um certo mal estar para os políticos ligados ao DN e A TARDE.
A política, porém, a política adversa a situação, ainda curtindo as dores com o insucesso da candidatura Ruy Barbosa, que attribuia aos responsáveis pela governação da Bahia, tentou tirar partido dos acontecimentos, procurando indispor os operários e o commercio com o governo do Estado. (ARAGÃO, Antonio Ferrão Moniz de. A Bahia e seus Governadores na República. Imprensa Oficial. Bahia. 1923. pag 656).
O DN após dias sem ser publicado devido às dificuldades decorrentes da greve como falta de luz, telefone, bondes, etc., muda o discurso no dia 10 (veja imagem do jornal no início da postagem):

"Greve não, Anarchia ! ".

domingo, 25 de março de 2012

O Povo Soberano

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Por Everardo Dias (1883-1966)

Se os nomes se gastassem com o uso, de há muito que o povo não mais possuiria o seu.

Não há político sem mérito que não abuse dele; não há jornalista burguês que não o traga e não o leve, aproveitando-o para os mais opostos fins; não há clube secreto, nem assembleia pública, nem púlpito de igreja onde não se fale do povo, onde não se alardeie que se trabalha pelo seu melhoramento e pela sua emancipação. O que eles nunca dizem é que o povo é um conjunto de degraus para a consecução das suas secretas ambições, que é a escada pela qual se trepa ao poder, que é a máscara com que se ocultam as traições, que é o editor responsável de tudo quanto é ruim e detestável...

Disse Guerra Junqueiro:

“O povo é rei. É rei como Jesus, Para beber o fel, para morrer na Cruz!”

Uns o amordaçam, outros o enganam; todos o exploram.

À sua sombra canta-se a lealdade e medita-se na traição... Com seu involuntário concurso executam-se as maiores indignidades. Dentre a sua compacta massa saem, periodicamente, um guerreiro, um poeta, um orador, um político. Mas o guerreiro o espaldeira, o legislador o escraviza, o poeta o abandona para arrastar o seu gênio perante o poder, o orador o acusa, o político o vende.

Eterna vítima de uns e outros, espera há tempos, tanto destes como daqueles, o cumprimento das suas falazes promessas.

Se a civilização não tivesse despedaçado os grilhões da escravidão, ainda permaneceria escravo.

Os seus salvadores, os seus apologistas, os seus defensores o empregaram como instrumento necessário de ódio e depois o abandonaram. É que o povo permaneceu ainda na sua infância com todo o entusiasmo e com toda a inexperiência, próprias da primeira idade.

À força de ser crédulo, é idólatra e constantemente o vemos prostrar-se perante o senhor, tremer perante o monarca, julgando-o uma entidade sobre-humana e adorar mais tarde aquele que lhe trouxe a morte sob as dobras da bandeira augusta da Liberdade...

Mas, como a idolatria é cega durante certo tempo somente, o povo começa a abrir os olhos e contempla a etrusca feiura dos seus ídolos de hoje e prepara-se para os derribar do pedestal onde noutros tempos contritamente os colocara.

Já começa a conhecer os seus verdadeiros interesses, a distinguir os que realmente são seus amigos, e benfeitores e a apreciar com justiça o valor que têm os seus falsos apóstolos; e assim que a idolatria seja sobrepujada pelo desprezo, o povo terá vida e representação próprias e não será instrumento de bastardas ambições, nem pedestal para onde trepem os farsolas que querem aparecer mais altos do que realmente são.

Texto transcrito do Jornal Germinal, Bahia, 1º de Maio de 1920.

sábado, 17 de março de 2012

Estado e Anarquia

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Por Joaquim Gonçalves

O Estado tem sido em todos os tempos o pilar mais forte da propriedade privada. 

Expoente máximo do principio da autoridade, o Estado fundamenta sua razão de ser na defesa dos interesses das oligarquias dominantes e na necessidade de manter os interesses ilegítimos das classes usurpadoras. Por sua vez, a propriedade privada, sendo o mais poderoso sustentáculo do Estado legalista, é ao mesmo tempo a entidade em que este se apoia para a consecução dos seus fins, e, por conseguinte estes dois sistemas completam-se, não podendo um viver sem o auxilio do outro. 

Se amanhã, por virtude dum qualquer movimento revolucionário, o povo tivesse a audácia necessária de proclamar a abolição do Estado, deixando, no entanto subsistir o monstruoso princípio da propriedade privada, não tardaria muito que a sua reconstituição se fizesse, posto que só ele podia fazer valer esse principio, pelas suas leis coercitivas e pela força bruta das suas armas. 

Se, pelo contrario, o povo, fremente de revolta, suprimisse radicalmente a propriedade e consentisse que o Estado continuasse a predominar sobre a grande maioria dos indivíduos, aquela havia de fatalmente ressurgir, como principal elemento da vida desse monstro insaciável. 

Estas duas forças são os mais fortes alicerces da sociedade capitalista, e, a sua existência se encontra perfeitamente delineada nestas sinistras seis palavras: Oprimir e escravizar as massas laboriosas. 

Feita esta singela e despretensiosa exposição, chega-se a conclusão, lógica e inevitável, de que o primeiro passo a dar, após a Revolução Social, consiste em banir radicalmente estas duas fórmulas sociais e instituir, consequentemente, sobre a terra o Comunismo Anárquico, cujas generosas concepções se encontram impregnadas da mais elevada moral e possuem, a nortear a sua marcha, o brilho cintilante que caracteriza os grande ideais. 

A teoria marxista, que propaga a extinção da propriedade privada e admite um Estado proletário para coordenar à vida da coletividade, tem sofrido dos libertários os mais vivos ataques, e tem que ser inevitavelmente repelida por todos aqueles que, amantes da Liberdade, não aceitam outra lei que não seja a sua consciência, nem se vergam a qualquer poder ditatorial por mais proletário e avançado que este se apresente.

O Comunismo é absolutamente antagônico com a propriedade privada. A Anarquia é a completa antítese da autoridade. Esta transforma o indivíduo num verdadeiro autômato, asfixia nele todas as faculdades de iniciativa, e os seus discricionários poderes servem apenas para oprimir e tiranizar os escravizados de todo mundo. Aquela, pelo contrário, procura restituir ao indivíduo toda a sua autonomia, desenvolver lhe as faculdades de raciocínio e assimilação, e o seu próximo advento fará brilhar em toda a imensidade terrestre o rutilo clarão vermelho da Libertação Proletária. 

Entre estas duas força será travada uma luta homérica, sem precedentes, na qual a Anarquia sairá triunfante, fazendo baquear o Império das desigualdades sociais, para substituí-lo por uma causa nobre e justa, prenhe de amor e de justiça.

O Comunismo Libertário tem sido divulgado em todos os tempos por uma falange de puros idealistas, os quais, com o brilhar fulgurante das suas inteligências, o tem sabido impor a consideração de toda a humanidade, conseguindo dele fazer o querido evangelho das massas oprimidas. 

Por todo o Universo, perpassa neste momento a mais forte rajada libertadora que tem assolado o velho mundo, e como um violento furacão arrasta, na sua passagem devastadora, Repúblicas e Monarquias, barretes frígios e testas coroadas.

O velho edifício burguês encontra-se periclitante. Os seus alicerces fragmentam-se pouco a pouco, atingidos em pleno pelas vigorosas machadadas da nossa propaganda redentora. A sociedade capitalista agoniza ao sopro vivificador dos modernos ideais. De toda esta podridão imunda que se estadeia ignobilmente ante os nossos olhos, exalam-se emanações fétidas que corrompem e envenenam o ambiente.

É necessário purificar toda esta montureira abjeta pelo fogo sagrado dos nossos fachos reivindicadores. Que na hora inevitável e grandiosa da derrocada, cada um de nós saiba encarnar o espirito rutilante do Ideal Anarquista, e a emancipação do povo dar-se-á pela ação direta das massas espoliadas, livres da influência daninha e perniciosa dos modernos “comissários do povo”. 

Nesse momento a Humanidade será livre e feliz, porque, finalmente abatidos privilégios e preconceitos, na Terra será instituída uma nova moral, baseada no Bem, na Igualdade e na Liberdade, acabando por se esquecer na imensidade dos tempos a exploração odiosa e humilhante do homem sobre o homem.

Texto transcrito do Jornal O Libertário, Nº02, São Paulo, Janeiro de 1922

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Sobre as Greves

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Carlos Baqueiro
cbaqueiro@terra.com.br

Em 1995, quando os petroleiros fizeram uma greve de 31 dias, era normal chamá-los de anti-patriotas nas páginas de jornais. Os juízes baseados na Constituição e nas regulamentações seguintes julgaram a greve ilegal. Não foi a primeira, nem a última. Outras grandes greves de 13 e 24 dias, em 1991, foram rapidamente julgadas ilegais. A Greve nas Refinarias de Mataripe e Paulínia em 1983, em plena ditadura militar, foi julgada ilegal  em menos de 24 horas, e mais de 180 petroleiros foram demitidos.

Em 1995 muita gente, mas muita gente mesmo ficou a favor do fim do monopólio da exploração do Petróleo pela Petrobras, pois a quase totalidade da imprensa conseguiu tornar pública a opinião dos donos das empresas de comunicação. Jornalistas de renome atacavam os petroleiros: Terroristas, anti-patriotas, etc. Naqueles anos parte da esquerda (incluído gente do PT) dava apoio aos petroleiros.

Durante greve, no final do ano passado, gerentes da empresa estatal de petróleo (antigos militantes do PT) chegaram a insinuar que os grevistas criavam terror em frente as instalações para não permitir que os "trabalhadores dóceis" pudessem entrar em seus locais de trabalho. Graças a isso, juízes mais uma vez "inventaram" um tal de Interdito Proibitório impedindo que os grevistas pudessem criar qualquer tipo de "constrangimento" aos dóceis trabalhadores. Policiais militares, às dezenas, proibiam em frente aos portões até mesmo que se abrissem faixas impedindo a entrada normal dos trabalhadores. Além de muitos empurrões e caras feias. Com isso a greve perdeu força.

Assim fica difícil acreditar que Governos, Empresários, Donos do Mundo, queiram mesmo negociar de forma equilibrada. E sempre, eles e seu séquito de legalistas, irão considerar ilegal qualquer greve que crie uma aura de solidariedade, igualdade e radicalismo entre os trabalhadores. 

Infelizmente sem greves e "excessos" torna-se bem difícil negociar com os Donos do Mundo. 

Esperemos que, pelo menos, os "excessos", na atual greve da PM, não tornem a vida em Salvador insuportável para a própria população. Pelo menos nada que seja mais desgraçado do que a própria vida em dias sem greve.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O Espírito da Burguesia na 6ª Economia do Mundo

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Carlos Baqueiro
cbaqueiro@terra.com.br




A TV tem nos trazido bons materiais para podermos dar uma malhada na 6ª economia do mundo.

O Fantástico faz uma brincadeirinha com alguns seres humanos, levando-os para onde não queriam ir, nem gostariam de viver. Colocam um carnívoro inveterado para comer com veganos quase anarquistas. E pegam uma garotinha burguesa para tomar conta de menininhos chatos (e pobres) em uma creche de Aracaju.

A garotinha habitante de uma cobertura dupla, chiquérrima, em Brasília (Arghhh...) faz sua boa ação de vida, indo ajudar o Fantástico a conseguir sua audiência domingueira. Além de rica, ela também é estudante de jornalismo (olha só, que legal). E adora festas. Pelo menos 3 festinhas durante a semana. Coisa prá pião babar de inveja. Muito legal e divertido ver ela limpando o cocô das crianças menores.


Mas, mais legal é vê-la, depois de ter participado do programa, montando uma apresentação de moda em benefício dos meninos pobres de Aracaju. Ela conseguiu arrecadar R$ 12.000,00.

Ela e suas amigas vestiam roupas que deveriam custar uns R$ 2.000,00, cada. Affff... Não era mais fácil juntar umas 10 roupitchas dessas e doar a turma de Aracaju ? kkkkkkk... Eita colaboração entre classes boa do caralho.

A TV Bahia também fez seu ato de solidariedade natalina, apoiando um jogo entre Neymar e seus amigos contra uma seleção de jogadores baianos. Pelo que deu prá ver de torcedores deve ter sido bem minguada a renda repassada para alguma instituição de caridade. Boa renda mesmo parece ter sido a de Neymar que segundo alguns blogs recebeu R$ 200.000,00 de cachê para participar do baba.


Nessa 6ª economia do mundo, como diria o nobre Cazuza, tanto a nova quanto a velha burguesia deixam um certo fedor pelo ar, por onde passam.

sábado, 24 de dezembro de 2011

O Inimigo do Rei há 35 anos atrás

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Carlos Baqueiro
cbaqueiro@terra.com.br

Trago aqui hoje um pouco do que foi o jornal O Inimigo do Rei. O texto que segue foi transcrito da 1ª Edição do Jornal, publicada e lançada às ruas em Outubro de 1977.

COMUNICADO

O autoritarismo está sendo combatido em todos os meios culturais europeus. Entretanto, devido à situação política do nosso país, os trabalhos desenvolvidos lá fora são praticamente impossíveis de serem publicados aqui, ao menos a curto prazo. Não só por causa da censura oficial, mas por causa também da censura das próprias editoras. Todos têm sua ideologia.

É tentando furar este bloqueio cultural imposto - não se enganem – não só pelo Governo, como também por grupelhos que se dizem "progressistas", que o INIMIGO DO REI pretende desenvolver a divulgação de trabalhos que nos permitam pelo menos ter uma idéia de como e para onde está caminhando o desenvolvimento político, econômico, social, etc.

No que diz respeito ao movimento estudantil, a posição deste jornal é radicalmente contra a dominação de alguns estudantes sobre outros, tentando propor uma saída através de um trabalho autogestionário, isto é, uma organização estudantil forte e que funcione sem a liderança autoritária de pequenos grupos.

O INIMIGO DO REI pretende, por todos os meios realmente democráticos, dar subsídios de discussão e debates que possam proporcionar a formação de uma nova mentalidade de ação e organização do movimento estudantil, tornando-o mais conseqüente, anti-autoritário e não-suicida, para não cairmos no mesmo erro que destruiu o movimento estudantil em 1968.

Achamos que o estudante deve ter uma real consciência crítica dos seus problemas havendo, assim, como agradável e salutar conseqüência o desaparecimento do dirigismo e do autoritarismo, permitindo um agrupamento realmente livre de estudantes.

Quando falamos em divulgar novas idéias, a evolução do pensamento, etc., queremos dizer que a finalidade de O INIMIGO DO REI é dialogar sobre a situação vigente no pensamento social moderno. Por outro lado, é um veículo que pretende ser, ele mesmo, uma nova proposta. Quer como organização de trabalho, quer como conteúdo. Nós partimos do ponto de vista fundamental de que todo agrupamento humano deve se organizar sem chefes, porque, se houver um chefe ou "líder", essa pessoa, mesmo inconscientemente, exercerá uma pressão - ou mesmo uma ditadura sobre os "liderados". Qualquer liderança implica em privilégio e necessária opressão dos liderados. Achamos que todos os modelos ditatoriais de organização, quer de governos, quer de entidades estudantis, refletem o interesse das classes dominantes no sentido de reter privilégios ou de conseguir outros.

Só poderá haver uma libertação quando a organização que coordena esse processo for resultado da vontade livre dos homens e não da cabecinha privilegiada das lideranças. Por isso somos contra toda forma de chefia.

A luta deste fim de século é basicamente contra o autoritarismo em todas as suas formas. Nota-se isto sensivelmente na pedagogia moderna. Na antipsiquiatria e nos movimentos estudantis de todos os lugares onde a ignorância e o subdesenvolvimento não existem, não gerando, assim, a mediocridade autoritária, centralista, e a alienação dos liderados.

Em decorrência do exposto, é que chegamos à conclusão de que O INIMIGO DO REI deve ser (como pretende mostrar a partir deste seu primeiro número) um jornal que faça chegar aos colegas informações e críticas, repetimos, mais atuais. Para isso, o primeiro passo é escapar à tendência em se escrever meros panfletos sectários. Não estamos aqui para jogar uma "verdade" que deve ser aceita cegamente. Aliás, não pretendemos jogar nenhuma "verdade" e muito menos que ela seja aceita sem críticas, de cabeça baixa.

Como meio essencialmente de Comunicação que pretende ser não pode censurar - ou, se preferirem o eufemismo, "selecionar" - as informações que pretende veicular. Sendo assim, nada mais natural do que ser um jornal aberto a todas as críticas. Aliás, uma das finalidades essenciais de O INIMIGO DO REI é exatamente levantar críticas, derrubar mitos, quebrar a falsa indestrutibilidade dos dogmas. Colocar em cheque as "verdades" estabelecidas. Não ter medo de mostrar as contradições, mesmo das posições ditas progressistas.

Acreditamos que só saindo deste marasmo intelectual, escapando desta enxurrada de chavões panfletários, sintetizando o que sobrar das contradições de todas as propostas que são colocadas aos colegas, só assim poderemos chegar a um consenso que finalmente poderá ser chamado de consenso da maioria.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Pesquisa sobre o Socialismo Libertário

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Carlos Baqueiro
cbaqueiro@terra.com.br

Para quem está iniciando projeto de pesquisa, principalmente aqueles dos Cursos de História e Comunicação, sugerimos que iniciem trabalho sobre jornais baianos que têm alguma ligação com o movimento anarquista, seja lá pelos inícios do século XX ou mais novos, das décadas de 1970 e 1980.

Temos alguns dos antigos jornais digitalizados, como Germinal e A Voz do Trabalhador, e também temos já disponibilizados na Internet algumas edições do jornal O Inimigo do Rei e da Revista Barbárie, ambas dos anos de 1980.

Deixo aqui disponibilizada a capa da edição de 1º de Maio de 1921, do jornal A Voz do Trabalhador, Órgão de Imprensa do Sindicato dos Pedreiros e Carpinteiros de Salvador.


Estamos a disposição para ajudar na pesquisa com muita conversa e apoio moral. E o resultado da pesquisa será de fundamental importância para compreensão de um movimento político pouco estudado no  nosso Estado.

Aproveito esta postagem para desejar um ótimo 2012 para todo mundo.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Jornalista é Proletário Também !!!

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Carlos Baqueiro
cbaqueiro@terra.com.br

Em abril de 2007, conforme o Site do Observatório do Direito à Comunicação, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) entendeu que “jornalista que trabalha em agência de notícias não deve receber adicional pela reutilização e republicação de suas reportagens”, em resposta a reclamação trabalhista de repórter gaúcho que havia trabalhado para a Agência Folha entre 1987 e 2001.

O TST negou (ratificando decisão do TRT gaúcho) ao jornalista direitos patrimoniais e morais sobre seus escritos, acatando a defesa da agência de que a reutilização de matérias era da natureza do contrato de trabalho, inclusive com cortes, alterações e sem identificação de autoria.

Não nos esqueçamos que em junho de 2009, Gilmar Mendes e mais outros seis ministros do STF votaram a favor do trabalho "livre" no jornalismo desobrigando a necessidade de diploma para todos aqueles que desejem escrever em jornais, seja em TVs, Rádios ou na Mídia Impressa.

Para Mendes, "a profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade tais como medicina, engenharia, advocacia nesse sentido por não implicar tais riscos não poderia exigir um diploma para exercer a profissão".

A lei que regula, no Brasil, os direitos autorais é a de número 9610 de 1998. Ali ela estabelece que uma publicação é o “oferecimento de obra literária, artística ou científica ao conhecimento do público, com o consentimento do autor, ou de qualquer outro titular de direito de autor, por qualquer forma ou processo”.

Na prática, o TST, no caso do jornalista gaúcho, negou que uma reportagem ou notícia seja “obra literária, artística ou científica”, pois se assim não tivesse feito teria de acatar a reclamação daquele profissional, pois a mesma lei diz em seu artigo 24 que o autor de publicações dentro do seu escopo tem o direito de “reinvindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra”, além de ter o direito de “assegurar a integridade” da mesma.

O que seria o trabalho jornalístico então, tendo em vista que está fora do círculo de competência da lei 9610 ? Quando o jornalista escreve uma notícia, uma reportagem ou um artigo, que deve ter sido o que o repórter gaúcho escreveu em seus 14 anos de trabalho na Agência Folha, ele escreve que gênero textual ?

Ou será que a “obra” do jornalista é apenas mercadoria, como deixaria claro para nós o fisósofo marxista Theodor Adorno ? E como mercadoria poderia ser cozinhada, amassada, transformada, incinerada ao bel prazer de quem a comprou.

No fundo, no fundo, não é difícil se perceber que boa parte (ou a totalidade) das obras (“publicações”, segundo a lei), sejam elas literárias, artísticas ou científicas, estão há um bom tempo sendo transformadas em mercadoria, com direito a todo fetiche criticado por Karl Marx em fins do sec. XIX.

Segundo Adorno, a Indústria Cultural, definida por ele nos anos 40 do sec. XX, consolida o poder econômico e político de uma elite. Esta elite consolidaria uma ideologia em seu benefício, e em detrimento do restante da sociedade. Esta ideologia se espalharia por todos os aparelhos de Estado, desde as escolas, passando pelas repartições públicas, até os tribunais de justiça.

Talvez nesse sentido possamos compreender a decisão do TST. O jornalista visto como um operário das letras. Seus escritos não devem ser considerados seus, mas propriedade de seus patrões, donos dos grandes jornais, das grandes emissoras de rádio ou de televisão.

Talvez nesse sentido possamos lembrar da frase do anarquista Pierre-Joseph Proudhon, que, em 1840, quase o levou a prisão: “O que é a propriedade ? A propriedade é um roubo”.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Jornalismo é isso ai...

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Carlos Baqueiro
cbaqueiro@terra.com.br

Aproveito para relembrar um texto meu publicado há quatro anos, quando ainda estava estudando para ser jornalista (ainda era preciso o diploma)... 

É isso ai... depois comentem se valeria a pena mesmo comprovar diplomação para compor a função de jornalista. 

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"Ir para onde está o silêncio. Esta é a responsabilidade de um jornalista: dar voz àqueles que foram esquecidos, abandonados, afastados pelo poder. Essa é a melhor razão que conheço para carregar nossas canetas, câmeras e microfones em nossas próprias comunidades e pelo mundo afora". Esta é uma citação do livro Corrupção à Americana, de Amy Goodman, Editora Bertrand Brasil, publicado em 2005.

Concordo completamente com a autora, jornalista da organização Democracy Now, que faz uma crítica feroz ao atual governo americano, com relação a sua presença no Iraque, e a governos anteriores, acerca da posição americana quanto ao Timor Leste, por exemplo. 

Mas, obviamente, isto é uma escolha. É a partir dessas escolhas que o jornalista constrói sua agenda de notícias e assuntos a serem debatidos em seus textos. E, quando falo de escolhas, também falo de escolhas editoriais, que, normalmente, refletem as posições dos editores ou proprietários dos jornais. 

Vou me aproveitar da revista semanal Época, de 21 de maio de 2007, para demonstrar como penso que isso funciona de uma forma prática e rotineira. Peguei essa revista e me fixei a seus colunistas ("Nossos Colunistas"). Gustavo Franco, Max Gehringer, Fareed Zakaria e Ricardo Freire. 

Tive a impressão, ao terminar de ler os quatro artigos, de estar vivendo em um mundo de uma só direção. Talvez o chamado mundo de um só pensamento. Os títulos já demonstram boa parte do que será o resto do texto: Sete idéias ruins para jogar fora; O fruto do trabalho... alheio; É errado ter medo do livre-comércio; e finalmente, Os segredos para voar pagando pouco. 

Em todos os artigos é possível perceber que seria bom para o mundo que o Deus Mercado fosse respeitado, que as leis trabalhistas fossem flexibilizadas, que se deve desonerar as empresas privadas dos impostos, que os trabalhadores devem competir dentro das empresas para que vença o melhor... 

Se agregarmos a isso algumas das entrevistas, teremos pérolas de defesa do sistema neoliberal, onde o que importa é a livre competição que sempre trará, na opinião dos entrevistados, o progresso e o sucesso. Como em trecho da entrevista de Ian Bremmer, onde ele diz que "há uma crescente convergência entre esquerda e direita no país sobre a necessidade de conduzir reformas no sistema de aposentadorias e nas finanças públicas". Dá prá perceber pelo resto do texto que a "convergência" a que ele se refere é aquela que tira os direitos dos trabalhadores e, mais uma vez, desonera um tal de "Custo Brasil". 

Tudo bem que a revista não é nenhum órgão de imprensa de agrupamento de esquerda, mas bem que eu gostaria de, de vez em quando, ler opiniões contrárias a toda essa linha editorial, que privilegia os textos pró-reformas, esquecendo-se dos "esquecidos e abandonados" trabalhadores. 

Outro dia uma professora me disse que eu estava muito pessimista a respeito do mundo, pois privilegiei, em projeto de pesquisa, algumas citações que viam o mundo num beco quase sem saída. Mas não é essa uma das maneiras de começarmos a querer uma mudança ?

Para encerrar este post deixo aqui uma daquelas citações, que admiro pela simplicidade e clareza, de Ignácio Ramonet, diretor-presidente do Le Monde Diplomatique, encontrada no livro Ensaios sobre o Neoliberalismo, da Editora Loyola:

"Nas democracias atuais, cada vez mais cidadãos livres sentem-se atolados, lambuzados por um tipo de doutrina viscosa que, imperceptivelmente, envolve todo raciocínio rebelde, inibi-o, desorganiza-o, paralisa-o e termina por asfixiá-lo. Essa doutrina constitui o 'pensamento único', única autorizada por um invisível e onipresente controle de opinião".

(Texto publicado no blog Notícias da Cidade em 26/05/2007)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Inimigos do Rei: Antonio Mendes

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Carlos Baqueiro 
cbaqueiro@terra.com.br 

Antonio Fernandes Mendes fala sobre sua chegada a Salvador, até a formação do grupo que criou o jornal O Inimigo do Rei.

 

domingo, 31 de julho de 2011

Nazistas a vista... e a prazo.

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Carlos Baqueiro
cbaqueiro@terra.com.br

Há alguns anos estamos vendo o crescimento da direita, e da extrema direita, nas eleições européias. França, Áustria, Países Nórdicos... Seria muita ingenuidade acharmos que as mortes de Hitler e Mussolini enterraram o nazismo e o fascismo para o local que mereceriam no Inferno.

Os atentados ocorridos na Noruega, por parte de um louco nazista (estou sendo redundante), podem mesmo ser vistos como a ponta do Iceberg da retomada de uma ideologia que assassinou milhões de judeus, ciganos, anarquistas, comunistas, e todo tipo de gente, em nome de um fundamentalismo político e religioso.

Tem gente no Brasil que se surpreende com a posição de outras tantas pessoas, aqui mesmo do nosso país, que concordam com as ideias nazifascistas. Entre elas toda a verborreia racista que foi usada pelo nazista norueguês para escrever um manifesto de propaganda.

No manifesto ele cita algumas vezes o Brasil, sugerindo que um país tão miscigenado como o nosso, não poderia dar certo. Toda essa mistura entre “raças” seria a culpada pelos “altos níveis de corrupção, falta de produtividade e em um conflito eterno entre várias culturas”(1).

Quando se fala de Racismo no Brasil, muita gente se lembra do Conde Arthur de Gobineau. O sujeito foi enviado ao Rio de Janeiro, por Napoleão III, para uma missão diplomática, durante os anos de 1869 e 1870. Adorava o imperador Dom Pedro II. Aliás, era a única coisa que ele gostava no Brasil.

Ele odiava o país, e seu povo mestiço:
Mas se, em vez de se reproduzir entre si, a população brasileira estivesse em condições de reduzir ainda mais os elementos daninhos de sua atual constituição étnica, fortalecendo-se através de alianças de mais valor com as raças europeias, o movimento de destruição observado em suas fileiras se encerraria, dando lugar a uma ação contrária(2).
Mas, longe do etnocentrismo europeu, muitos brasileiros teorizaram sobre a incapacidade de um povo misturado poder galgar posições civilizatórias satisfatórias.

Um desses brasileiros foi o médico baiano Nina Rodrigues. Discípulo de homens como Darwin, Augusto Comte e Cesari Lombroso, este último defensor da pretensa ciência que afirmava a inferioridade de algumas "raças" ante a superioridade de outras. Nina Rodrigues foi um pesquisador perspicaz da vida dos negros na primeira década do Sec.XX. Mas algumas de suas conclusões são obviamente sintomas de uma época:
A Raça Negra no Brasil, por maiores que tenham sido os seus incontestáveis serviços à nossa civilização, por mais justificadas que sejam as simpatias de que a cercou o revoltante abuso da escravidão, por maiores que se revelem os generosos exageros dos seus turiferários, há de constituir sempre um dos fatores da nossa inferioridade como povo(3).
O pensamento racista não é mais nem menos humano do que qualquer outro pensamento. Faz parte de posicionamentos históricos tomados por indivíduos desejando entender o ser humano. Lembremos que o grego Aristóteles não acreditava que os escravos pudessem ser tratados igualmente com os outros gregos, pois eram "Escravos", e não "Homens". A estupidez da violência contra o outro nasce das necessidades, dos desejos conscientes e inconscientes, das diversas culturas. A mulher em alguns países árabes pode ser punida se fizer sexo menstruada. Ao homem traído, em algum momento no Brasil, já foi permitido legalmente a vingança, até mesmo com a morte da mulher.

Infelizmente, como vimos nas explosões e tiros na Noruega, a estupidez não é algo do passado. Estaremos sempre com ela ao nosso lado, a nossa frente, em nosso redor, dentro de nós.

O que sempre nos tornou e continuará nos tornando seres humanos é a capacidade de resistir e escapar a essas ideias estúpidas que negam uma humanidade ao mesmo tempo única e diversa.




Além das fontes que já coloquei no próprio texto quem quiser entender um pouco mais de Racismo no Brasil deve ter em mãos o livro O Espetáculo das Raças, de Lilia Moritz Schwarcz, da Companhia de Letras.