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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Cineclube Valéria

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O Cineclube Valéria está instalado no espaço do Instituto Sócio-Ambiental de Valéria, junto com um grande espaço de reserva florestal e a Biblioteca Comunitária José Oiticica.

O Cineclube iniciou sua vida no início do ano de 2009 passando filmes educativos e de ficção até meados do ano de 2010: Por ali passaram Charles Chaplin, com Tempos Modernos e Em Busca do Ouro, Ray Bradbury com Fahrenheit 451, além de Macunaíma, Uma Verdade Inconveniente, e tantos outros, que fizeram os espectadores deixarem a passividade de lado e debaterem sobre temas e assuntos diversos, além de preencher suas tardes de sábado com um pouco de diversão.

Hoje estamos querendo reabrir o Cineclube, mas precisamos dar uma melhorada na situação física do mesmo. As paredes estão precisando de pintura, o chão de novo piso, ventiladores são essenciais para o verão, telhados de nova cobertura, e precisamos de um novo banheiro, que funcione com higiene e segurança.

Queremos ver as crianças e adultos assistindo aos filmes e comendo pipoca com tudo pronto ainda no começo deste verão que se aproxima.

Vamos recuperar o Cineclube e dar andamento a um projeto que privilegia a transformação social através do conhecimento e da integração com a comunidade.

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A ideia é de captação de grana, para financiar o Projeto de Recuperação do Cineclube Valéria, situado no bairro periférico de Salvador de mesmo nome. Funciona nos moldes de qualquer "vaquinha virtual". A pessoa entra lá, assiste o vídeo, lê as propostas, e se tiver disponibilidade dá um apoio financeiro: R$ 10, 20, 50, 120... tem um botão de APOIAR ESTE PROJETO... e quem apoia recebe o que o Catarse chama de Recompensas... lá do ladinho colocamos algumas recompensas bem modestas e não muito capitalistas...

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A Classe Mérdia...

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Carlos Baqueiro
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Hoje resolvi falar um pouco das ressonâncias que a greve dos PMs produziu no mundo virtual e real por esse mundo a fora. Mas particularmente das "profundas" discussões surgidas entre elementos da classe média que ficou em polvorosa dando seus pitacos já manjados em redes sociais.
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Uma antiga colega de pós se arvorou a afirmar no Facebook que as mobilizações são o motor da história. Tem classe média marxista também. Pior que eu quando vejo essas coisas fico com vontade de opinar também (Ana Godoy lá de São Paulo falou sobre esse desejo de opinar em nossa nova Sociedade de Controle em uma entrevista que fiz com ela). Ai dei meu pitaco: Prá mim motor da história pode ser nossa estupidez, pode ser nossa omissão, pode ser a vontade de dar uma... Greve é motor da história sim, mas enganar o público com sórdidas reportagens direcionadas também não deixa de ser um grande motor da história.
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Outra coleguinha deixou claro no Twitter a sua raiva sobre os PMs porque no final de semana passado ela não pode sair de casa prá participar das festinhas costumeiras. Teve de ficar em casa assistindo Supercine. Essa semana ela continuou sua campanha contra a greve, louca por saber que o Carnaval poderia ser suspenso. Ela e grande parte da Classe Média parecem esquecer que são os PMs que os protegem durante todo ano da sanha dos "bandidos" da periferia.
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Parte dessa Classe Média resoveu chamar os PMs de amotinados e assassinos. "Descobriram" que foram PMs que mataram moradores de rua durante os dias de greve. Boa parte dessa turma que reclama agora não tá nem ai com a média "normal" de 30 assassinatos por semana em Salvador e Região Metropolitana. Mas querem opinar porque o Jornal que assistem todo dia falou sobre o assunto.
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A mesma PM que passa o sarrafo nos periféricos que se aproximam muito das cordas dos blocos de gente bonita. A mesma PM que passa a mão pela cabeça da turminha que gosta de fazer pega na Av. Paralela, e adora enfiar as mãos por baixo dos usuários de buzu na hora da Blitz. Tudo em nome da proteção da Classe Média. Permitindo que ela possa tomar sua cervejinha tranquilamente nos barzinhos sem serem importunados por meninos chatos pedindo grana e choramingando a vida ruim.
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É paradoxal ver essa Classe Média atacando os PMs. Mas, pensando bem, elas defendem mesmo é o seu próprio status quo. O mesmo defendido pela PM e pela hierarquia criada na PM. O mesmo status quo defendido por um outro usuário do Facebook (um burocrata de algum tribunal) que uns dias atrás falou que o Capitalismo que vivemos é mais brando que o antigo capitalismo selvagem. Hoje as leis defendem os trabalhadores. E, segundo ele, os empresários é que se lenham.
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Hoje numa foto do jornal A Tarde reforcei minha ideia do quão brando é esse novo capitalismo. Na página A12 montadores de andaimes vão subindo uma estrutura que será usada no Carnaval de Porto Seguro pela Classe Média. Cinto de Segurança prá que ? Vá ver que não se quis comprar os EPIs porque a tal da Responsabilidade Fiscal não permitia.
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Essa mesma Responsabilidade Fiscal permite que se gaste grana com a construção de um Estádio numa cidade que já tem o suficiente para os times aqui existentes. Que prefeituras gastem fortunas em Publicidade. Permite gastar grana com uma futura ponte que vai favorecer mais as empreiteiras do que a população. Responsabilidade Fiscal que não levou ninguém para a prisão, nem multou nenhum político com a construção de um Metro de 6 km por um valor que já se aproxima do Bilhão de Reais (vejam também o artigo A Terceira Guerra de J.C.Teixeira Gomes no jornal A Tarde de hoje).
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Não tenho a intenção de fazer com que as pessoas mudem de ideia com relação a greves. Muito menos num caso especial como esse onde estão envolvidos muito mais do que questões de exploração capitalista, etc, etc... mas é uma boa hora para perceber que esse é um mundo de discurso. E num mundo de discursos o que temos de fazer é bem simples. Escolher o que mais se adapta as nossas necessidades e desejos. Mas que pelo menos se pense um pouco antes de escolher de que lado estamos, se é que vamos escolher algum, ou até mesmo tentar refazer o mundo com algum outro discurso pessoal e intransferível.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Sobre as Greves

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Carlos Baqueiro
cbaqueiro@terra.com.br

Em 1995, quando os petroleiros fizeram uma greve de 31 dias, era normal chamá-los de anti-patriotas nas páginas de jornais. Os juízes baseados na Constituição e nas regulamentações seguintes julgaram a greve ilegal. Não foi a primeira, nem a última. Outras grandes greves de 13 e 24 dias, em 1991, foram rapidamente julgadas ilegais. A Greve nas Refinarias de Mataripe e Paulínia em 1983, em plena ditadura militar, foi julgada ilegal  em menos de 24 horas, e mais de 180 petroleiros foram demitidos.

Em 1995 muita gente, mas muita gente mesmo ficou a favor do fim do monopólio da exploração do Petróleo pela Petrobras, pois a quase totalidade da imprensa conseguiu tornar pública a opinião dos donos das empresas de comunicação. Jornalistas de renome atacavam os petroleiros: Terroristas, anti-patriotas, etc. Naqueles anos parte da esquerda (incluído gente do PT) dava apoio aos petroleiros.

Durante greve, no final do ano passado, gerentes da empresa estatal de petróleo (antigos militantes do PT) chegaram a insinuar que os grevistas criavam terror em frente as instalações para não permitir que os "trabalhadores dóceis" pudessem entrar em seus locais de trabalho. Graças a isso, juízes mais uma vez "inventaram" um tal de Interdito Proibitório impedindo que os grevistas pudessem criar qualquer tipo de "constrangimento" aos dóceis trabalhadores. Policiais militares, às dezenas, proibiam em frente aos portões até mesmo que se abrissem faixas impedindo a entrada normal dos trabalhadores. Além de muitos empurrões e caras feias. Com isso a greve perdeu força.

Assim fica difícil acreditar que Governos, Empresários, Donos do Mundo, queiram mesmo negociar de forma equilibrada. E sempre, eles e seu séquito de legalistas, irão considerar ilegal qualquer greve que crie uma aura de solidariedade, igualdade e radicalismo entre os trabalhadores. 

Infelizmente sem greves e "excessos" torna-se bem difícil negociar com os Donos do Mundo. 

Esperemos que, pelo menos, os "excessos", na atual greve da PM, não tornem a vida em Salvador insuportável para a própria população. Pelo menos nada que seja mais desgraçado do que a própria vida em dias sem greve.

sábado, 14 de janeiro de 2012

A Praça de Ondina não é do Povo !!!

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Carlos Baqueiro
cbaqueiro@terra.com.br

Material encontrado no Facebook dos Acampados em Salvador.(http://www.facebook.com/OcupaSalvador/posts/347544015256124):

1 - A Praça de Ondina, em Salvador, não tem banco, não tem árvore, não tem parquinho, não tem NADA! É um grande CALÇAMENTO feito especificamente para a construção de um camarote que cobra quase 1000 reais por pessoa POR DIA só pra respirar lá dentro durante o carnaval (vejam no site os preços! http:// www.camarotesalvador.com.br/).

2 - O Camarote Salvador ocupa a praça desde o início de dezembro (a praça foi inaugurada em setembro) até depois do carnaval. A Premium Produções venceu a licitação para explorar o espaço pelos próximos CINCO ANOS! Por três meses do ano a população não pode usar o espaço. É por um ano e meio que a população é PRIVADA de um lugar PÚBLICO. Passem lá na frente do camarote pra ver. Não tem espaço nem pra colocar o dedo mindinho do pé. Nem precisa falar que não dá pra ver o mar nem tentando muito.

3 - Os comerciantes da praça (a Banca Cultural e as barraquinhas de coco) tiveram que se retirar em dezembro, no início do verão. Fora o transtorno das pessoas que querem ir à praia, que agora tem que dar a volta em toda a estrutura do camarote. Uma praia assim é uma praia morta, é uma praia que nem existe.

Esse texto, dentre outros, surge nas redes sociais devido a uma liminar, expedida pela juíza Lisbete Maria Almeida, proibindo uma manifestação pacífica de protesto, contra o fechamento de uma área, no bairro de Ondina, que está sob a administração de uma empresa privada, para a construção de um camarote. A manifestação estava prevista para acontecer neste sábado às 18 horas na Praça de Ondina.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Produção Anarquista em Salvador - C.R.Moska

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Carlos Baqueiro
cbaqueiro@terra.com.br

O vídeo a seguir é do "velho" anarco-soteropolitano CR Moska.


Moska publica suas artes, inclusive o Vídeo Poema acima, no blog:

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Salvador, Cidade Negra


Carlos Baqueiro
cbaqueiro@terra.com.br

Salvador é a cidade com maior número de negros do País. Com 743,7 mil pessoas, a capital baiana está na frente de São Paulo (736 mil) e Rio de Janeiro (724 mil). A constatação faz parte do Mapa da População Preta & Parda no Brasil, segundo os Indicadores do Censo de 2010.

Provavelmente, graças a toda essa representatividade, em meados de novembro vários chefes de Estado participaram da montagem da Declaração de Salvador. No documento, os líderes reafirmaram o compromisso com a eliminação completa e incondicional do racismo e de todas as formas de discriminação e intolerância, o que a presidente Dilma, também participando do encontro, reiterou em discurso.

Nessa cidade de negros, até gente importante na mídia tem seu dia de constrangimento. O cantor do Grupo Psirico, Márcio Victor, disse ter sido atacado verbalmente, durante um dos dias de carnaval, por um homem branco no camarote em que estava: "Fui chamado de negro, favelado e pobre".

Mas não só de ataques verbais vive o carnaval. Se tem algo que pode ser visto com certa frequência é a polícia prendendo e batendo em negros. A foto que inicia este texto é um dos exemplos disso.

De tempos em tempos podemos ler nos jornais notícias parecidas. Aqui em Salvador, no Rio de Janeiro, ou em São Paulo. O racismo no Brasil não é algo novo. Já foi até mesmo incentivado (explicado "cientificamente" !!!) por intelectuais e especialistas da área médica.

Em 1905, por exemplo, o médico "baiano" (nascido no Maranhão) Nina Rodrigues teorizava sobre os negros em um trabalho chamado “Africanos no Brasil”:

“A raça negra no Brasil, por maiores que tenham sido seus incontestáveis serviços à nossa civilização, por mais justificadas que sejam as simpatias de que a cercou o revoltante abuso da escravidão, por maiores que se revelem os generosos exageros de seus turiferários, há de constituir sempre um dos fatores de nossa inferioridade como povo”.

Cem anos se passaram e ainda hoje se discute, por exemplo, a viabilidade ou não de cotas para negros e seus descendentes na entrada para as universidades públicas. Sabe-se que no Brasil, desde a extinção da escravidão, os negros não têm sido contemplados com políticas públicas de caráter compensatório. Na realidade, as estatísticas nos mostram o contrário.

Uma análise dos indicadores sociais que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou em 1999, permite aferir que a população branca ocupada tinha um rendimento médio de 5 salários mínimos, enquanto os negros e pardos alcançavam valores em torno de 2 salários mínimos.

Não é difícil perceber também o quanto a mídia vai reforçando este processo de distinção, quase eliminando a presença de gente de cor preta para trabalhos em novelas e na publicidade, por exemplo. E as evidências de um racismo enrustido na sociedade podem ser verificadas nas palavras de gente de todas as etnias.

Jonas, negro, petroleiro, 43 anos, concorda que o racismo está incrustado na cultura baiana: “Desde pequeno senti na pele diversas vezes uma certa diferenciação que os próprios professores criavam entre os brancos e negros na sala de aula”.

Na escola, na empresa ou fazendo compras, os negros têm muito que lutar para diminuir os preconceitos contra eles.

A comerciária Vera, branca, 40 e poucos anos, diz não ser racista, mas não nega que teria receio se aparecessem dois negros entrando na loja em que trabalha, em um shopping center, mesmo bem vestidos. “Os ladrões que aparecem na TV sempre são negros”, defende-se a vendedora, com um leve sorriso, meio sem graça, em referência a um dos personagens do belíssimo filme Crash.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Eu Democratizo, Tu Democratizas, Eles Manipulam...

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Carlos Baqueiro

Hoje me fizeram um convite, via Facebook, para participar de um evento contra a Privatização do Elevador Lacerda. Vai ser dia 30 de Setembro, numa Sexta-Feira.

Ação louvável? No nível que estamos de ações talvez até seja. Mesmo sabendo que pode estar por trás algum, ou vários partidos que estão loucos prá vagar a cadeira da Prefeitura, após um inédito Impeachment de João Henrique. Mas além desse pormenor ainda existe outro. Prá que me dirigir ao centro de Salvador prá me manifestar contra o governo municipal, ou qualquer outro governo? A gente não conseguiria reunir um tanto de gente no bairro da gente, ou no trabalho, ou na escola e fazer, por exemplo, uma vigília de 24 horas contra as atitudes, ou falta delas, da Prefeitura?

Acho que todo mundo sabe mais ou menos a resposta, né? A apatia parece ter tomado conta da sociedade. As pessoas parecem só se reunir nos largos e ruas de seus bairros quando passa alguma novena religiosa, ou quando aparece algum Parque de Diversões, com direito a Roda Gigante e o escambau. Ou então quando é São João, e o forró pega fogo, ou no Carnaval e festas de largo com direito a Trio Elétrico. Nunca mais ouvi falar de Associações de Bairros. De Roma a Valéria. Da Fazenda Grande a Pituba... o que existem hoje são arremedos de Associações que vivem das benesses de governos de direita ou de esquerda, tentando comprá-las, no que esse vocábulo pode ter de mais calhorda.

Fico aqui lembrando de uma camisa do PT que comprei da turma que estava construindo aquele partido na Massaranduba, bairro periférico daqui de Salvador. Isso foi em 1981 ou 1982. Na frente da camisa se via um desenho do PT sendo construído pela população, gente comum, levantando as letras com tijolos. Nada mais romântico prá quem viu aquele partido crescer, não? Naquele tempo a turma que construía tanto o PT quanto a CUT tinha uma visão socialista e humanitária da sociedade. Ouso dizer que muita gente lá dentro acreditava que o mundo poderia mudar e o capitalismo ceder ao poder da população, numa gestão verdadeiramente popular. Um Governo do Povo, para o Povo e pelo Povo.

Nada disso aconteceu. Como era previsível os “trabalhadores” tomaram o poder e se transformaram em “tecnocratas”. E em nome do Povo, esses burocratas técnicos agem fazendo todo tipo de artimanhas para se manter no poder. Uma esmola ali, outra aqui. Uma granazinha prá alguns intelectuais poderem manifestar o quanto o país está no caminho certo. E uma granazona prá grande mídia fazer a mesma coisa.

Quando olhamos, por exemplo, para os Sindicatos de hoje, infestados de burocratas (sejam da esquerda ou da direita), podemos perceber o quanto aquele sonho impresso na camisa dos anos 80 está longe. Não se ouve mais falar de Comissões de Base, não se ouve mais falar de fim do imposto sindical, nem se ouve falar do fim dos Sindicatos Únicos, herança do fascismo italiano dos anos 20 do século passado.

Então prá que nos reunirmos na Pç. Municipal dia 30, se nem ao menos conseguimos nos reunir prá discutir política na nossa rua, nem na nossa sala de aula, nem no escritório, nem no condomínio?

Qual realmente a função de uma reunião a qual não terei direito a voz, nem poderei discordar daqueles que estarão com algum sistema de som, preparados para manipular a massa que ali estará?

Por que não tiramos a manhã do dia de amanhã para anotarmos as necessidades, por exemplo, de nossa rua, e conversarmos com nosso vizinho, na outra manhã?

E, a partir daquele encontro, juntar mais um, mais dois ou três vizinhos, discutindo uma pauta comum e colocando em ação nossos cérebros utilizados tão superficialmente nesses tempos de Internet.

Um bom começo, ou seria utopia, como diriam nossos amáveis “amigos” do PCdoB, nos utópicos anos 80?