Filmes Comentários

Mostrando postagens com marcador Proudhon. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Proudhon. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Jornalista é Proletário Também !!!

______________________________


Carlos Baqueiro
cbaqueiro@terra.com.br

Em abril de 2007, conforme o Site do Observatório do Direito à Comunicação, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) entendeu que “jornalista que trabalha em agência de notícias não deve receber adicional pela reutilização e republicação de suas reportagens”, em resposta a reclamação trabalhista de repórter gaúcho que havia trabalhado para a Agência Folha entre 1987 e 2001.

O TST negou (ratificando decisão do TRT gaúcho) ao jornalista direitos patrimoniais e morais sobre seus escritos, acatando a defesa da agência de que a reutilização de matérias era da natureza do contrato de trabalho, inclusive com cortes, alterações e sem identificação de autoria.

Não nos esqueçamos que em junho de 2009, Gilmar Mendes e mais outros seis ministros do STF votaram a favor do trabalho "livre" no jornalismo desobrigando a necessidade de diploma para todos aqueles que desejem escrever em jornais, seja em TVs, Rádios ou na Mídia Impressa.

Para Mendes, "a profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade tais como medicina, engenharia, advocacia nesse sentido por não implicar tais riscos não poderia exigir um diploma para exercer a profissão".

A lei que regula, no Brasil, os direitos autorais é a de número 9610 de 1998. Ali ela estabelece que uma publicação é o “oferecimento de obra literária, artística ou científica ao conhecimento do público, com o consentimento do autor, ou de qualquer outro titular de direito de autor, por qualquer forma ou processo”.

Na prática, o TST, no caso do jornalista gaúcho, negou que uma reportagem ou notícia seja “obra literária, artística ou científica”, pois se assim não tivesse feito teria de acatar a reclamação daquele profissional, pois a mesma lei diz em seu artigo 24 que o autor de publicações dentro do seu escopo tem o direito de “reinvindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra”, além de ter o direito de “assegurar a integridade” da mesma.

O que seria o trabalho jornalístico então, tendo em vista que está fora do círculo de competência da lei 9610 ? Quando o jornalista escreve uma notícia, uma reportagem ou um artigo, que deve ter sido o que o repórter gaúcho escreveu em seus 14 anos de trabalho na Agência Folha, ele escreve que gênero textual ?

Ou será que a “obra” do jornalista é apenas mercadoria, como deixaria claro para nós o fisósofo marxista Theodor Adorno ? E como mercadoria poderia ser cozinhada, amassada, transformada, incinerada ao bel prazer de quem a comprou.

No fundo, no fundo, não é difícil se perceber que boa parte (ou a totalidade) das obras (“publicações”, segundo a lei), sejam elas literárias, artísticas ou científicas, estão há um bom tempo sendo transformadas em mercadoria, com direito a todo fetiche criticado por Karl Marx em fins do sec. XIX.

Segundo Adorno, a Indústria Cultural, definida por ele nos anos 40 do sec. XX, consolida o poder econômico e político de uma elite. Esta elite consolidaria uma ideologia em seu benefício, e em detrimento do restante da sociedade. Esta ideologia se espalharia por todos os aparelhos de Estado, desde as escolas, passando pelas repartições públicas, até os tribunais de justiça.

Talvez nesse sentido possamos compreender a decisão do TST. O jornalista visto como um operário das letras. Seus escritos não devem ser considerados seus, mas propriedade de seus patrões, donos dos grandes jornais, das grandes emissoras de rádio ou de televisão.

Talvez nesse sentido possamos lembrar da frase do anarquista Pierre-Joseph Proudhon, que, em 1840, quase o levou a prisão: “O que é a propriedade ? A propriedade é um roubo”.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Desprezo pelos Políticos

______________________________

Carlos Baqueiro

Esta semana uma empresa de pesquisa baiana publicou uma enquete que demonstra o quanto as pessoas gostam ou desgostam de determinadas instituições sociais, que influem de alguma forma em suas vidas.

Não sou daqueles que acreditam muito em tais pesquisas. Muitas delas são feitas a partir de encomendas de empresas, ou órgãos do governo. E ainda acredito que boa parte delas cria procedimentos que, de antemão, já se imagina que farão aparecer certos resultados.

O que gostei nesta pesquisa foi o resultado a que se chegou quanto às instituições governamentais e políticas. Obviamente o resultado me satisfez porque traduz o que os anarquistas falam há pelo menos 150 anos.

Vejam a seguir um dos gráficos expostos na pesquisa. Em vermelho estão as opiniões contrárias à cada instituição.


Não é difícil saber o porquê de uma pesquisa ter este resultado. O julgamento de Jaqueline Roriz nesta semana que passa, sendo ela “inocentada” pelos seus colegas, demonstra a que nível os políticos se esforçam para serem bem vistos pela população.

E quanto ao desprezo pelos governos é só relembrar as palavras de P.J.Proudhon, ainda no Século 19:

"Ser governado significa ser observado, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, cercado, doutrinado, admoestado, controlado, avaliado, censurado, comandado; e por criaturas que para isso não tem o direito, nem a sabedoria, nem a virtude... Ser governado significa que todo movimento, operação ou transação que realizamos é anotada, registrada, catalogado em censos, taxada, selada, avaliada monetariamente, patenteada, licenciada, autorizada, recomendada ou desaconselhada, frustrada, reformada, endireitada, corrigida. Submeter-se ao governo significa consentir em ser tributado, treinado, redimido, explorado, monopolizado, extorquido, pressionado, mistificado, roubado; tudo isso em nome da utilidade pública e do bem comum. Então, ao primeiro sinal de resistência, à primeira palavra de protesto, somos reprimidos, multados, desprezados, humilhados, perseguidos, empurrados, espancados, garroteados, aprisionados, fuzilados, metralhados, julgados, sentenciados, deportados, sacrificados, vendidos, traídos e, para completar, ridicularizados, escarnecidos, ultrajados e desonrados. Isso é o governo, essa é a sua justiça e sua moralidade! ... Oh personalidade humana! Como pudeste te curvar à tamanha sujeição durante sessenta séculos?"

Fonte: http://www.futuranet.ws/xpesquisas.asp?tb=semanal&id=194